Trata-se de um blog com pequenas reflexões e testemunhos pessoais.
É neste espaço que revelo um pouco do que penso e do que sou.
Vejam e deixem a vossa opinião (:


17 de fevereiro de 2017

A vida é muito mais do que aquilo que vemos...

"A nossa relação e o nosso amor, 
para com os outros será sempre a prova viva 
de que a vida é muito mais do que aquilo que vemos."
Pe. Rui Miguel

O celebrar da vida é o reconhecimento de que aquilo que nos foi dado é um verdadeiro dom.
O celebrar da vida é a oportunidade de nos darmos para sermos encontrados. 
O celebrar da vida estará, unicamente, na partilha, na relação e no amor.
Uma partilha que poderá ser revelada no gesto ou à volta de uma mesa.
Uma relação que poderá ser demonstrada no toque e no trato que damos ao outro.
Um amor que poderá ser visto no mais brilhante olhar daqueles que se cruzam connosco.
Não há uma ligação à vida se não houver conexão com aqueles que amamos, com aqueles que dizem ser nossos amigos ou com os nossos familiares.
Não há uma ligação à vida se não soubermos acolher a diferença daquele que partilha a mesma humanidade.
Não há um verdadeiro significado para a vida se não sentirmos o poder de um olhar profundo.
E em cada troca de olhares existe sempre algo maior.
Existe sempre algo que nos aproximará sem nos darmos conta.
E quando repararmos, quando repararmos perceberemos que nesta vida não somos alimentados, por aquilo que vemos, mas que sentimos...
Quando repararmos, perceberemos que nesta vida a eternidade não está naquilo que construímos, mas sim naquilo que deixamos que construam em nós.
Não existe luz se tudo estiver fechado.
Não existe entrada se não houver porta.
Da mesma forma acontece com a vida...
Não existe vida se não nos deixarmos inundar pelo o que não vemos.
Não existe vida se não permitirmos que a vida dos outros aconteça em nós.
A vida é muito mais do que aquilo que vemos...e ganha sentido quando nos arrepiamos com o toque.
Ganha sentido, quando nos emocionamos com as palavras.
Ganha sentido, quando nos deixamos de pieguices e nos agarramos àquilo que realmente interessa.
A vida é muito mais do que aquilo que vemos, mas não é por isso que deixamos de "ver" a sua beleza.

[Fotografia da autoria de ©Brenkee]

7 de fevereiro de 2017

A natureza da simplicidade

"A natureza é o único livro 
que oferece um conteúdo valioso 
em todas as suas folhas."
Johann Goethe

Dava por mim, a contemplar as maravilhas da minha vila, e a lembrar-me do quão sortudos podemos ser.
Dava por mim, a contemplar as maravilhas da minha vila, e a aperceber-me de que podemos ser felizes com tão pouco.
Dava por mim, a contemplar as maravilhas da minha vila, e a emocionar-me com aquilo que a Natureza nos pode dar.
No meio de tanta contemplação e de silêncios deixei-me inundar pelo verde dos campos que cerca esta terra e pela paz que se refletia no chilrear dos pássaros.
Com ela recordava que andamos tão enganados sobre o que é a vida.
Andamos tão, mas tão enganadinhos...
Deixámo-nos levar pelas correrias do tempo.
Deixámo-nos levar pelas ditas prioridades e esquecemo-nos o que é viver verdadeiramente. 
Esquecemos que o simples "gosto de ti" é essencial no dia a dia de um filho, de um pai e de uma mãe...
Esquecemos que a simples presença, com uma troca de olhares, enche muito mais a alma que uma conta bancária recheada.
Esquecemos que um abraço pode ser mais reconfortante que o melhor casaco de um shopping.
Esquecemos o quão valiosos poderemos ser para o outro ao darmos uma simples palavra, um simples carinho e atenção.
Esquecemos ou preferimos ignorar?
Esquecemos ou não queremos atuar?
A verdade é que, com a simplicidade, nunca conseguiremos grandes conquistas naquilo que é considerado politicamente correto pela sociedade.
A verdade é que, com a simplicidade, nunca teremos altos cargos sociais.
Mas também é verdade que com a simplicidade alcançaremos a maior das dignidades: a dignidade humana.
Com a simplicidade, viveremos intensamente.
Com a simplicidade, viveremos o mais pequeno.
Com a simplicidade, seremos enormes interiormente.
Com a simplicidade, seremos nós mesmos e não aquilo que nos querem fazer passar.
Nesta vida não vale a pena ser de outra forma.
Nesta vida não vale a pena correr por mais nada.
Sê simples. Sê humilde. E o teu "pó" será recordado eternamente...
Não pelo que disseste, mas pelo que fizeste e construíste.
Não pela tua importância mediática, mas sim por tudo o que fizeste pela calada.
Sê simples e verdadeiro e o teu "pó" não voará em vão nesta vida.

[Fotografia da autoria de ©Emanuel António Dias]

19 de janeiro de 2017

Ser-se humano...

"Eu sou apenas humano, eu cometo erros
Eu sou apenas humano"

Rag'n'Bone Man - Human



Vivemos num tempo e numa sociedade, onde temos que atingir níveis de perfeição.
Hoje é-nos exigido a capacidade de sermos excelentes em tudo aquilo que somos e fazemos.
Carregamos sobre nós uma nuvem de pressão.
Somos pressionados para sermos os filhos perfeitos, os alunos perfeitos, os amigos perfeitos, os profissionais perfeitos e os cidadãos perfeitos. Não pode haver falhas, não pode haver hesitações, nem se pode ceder.
O Mundo parece estar "programado" para que o verdadeiro sentido de humanidade seja extinto.
Vai-se transmitindo a ideia de que o erro não faz parte do crescimento.
Vai-se criando a ideia de que as fragilidades não existem no Homem.
Vai-se caminhando para o intuito de que quem erra não merece a oportunidade de erguer em cada queda.
O verdadeiro sentido da humanidade está em ser-se.
E nessa tentativa de se ser humano é preciso ter a humildade para perceber que haverá sempre falhas. Haverá sempre o erro. Haverá sempre a fragilidade. Haverá sempre a queda.
Mas em todo o erro e falha, existe a aprendizagem e muitas das vezes até a emenda.
Em cada fragilidade surge sempre a capacidade de se perceber o limite de cada um.
A verdadeira beleza da humanidade está em saber aceitar aquilo que de pior existe em nós.
E para isso é preciso viver.
Para isso é preciso retirar a pressão ao Homem.
É urgente que o Homem possa caminhar sozinho para que entenda do que é feito.
É urgente que o Homem possa refletir para que entenda que a sua perfeição é a sua própria existência e não aquilo que poderá vir a fazer.
É urgente que deixem que o Homem seja humano.
É urgente que o Homem viva a autenticidade da sua humanidade.
E nesta urgência cabe, a cada um de nós, a responsabilidade de não nos deixarmos engolir pelo "fabrico" de falsa humanidade.
Cabe, a cada um de nós, unicamente ser-se humano sem qualquer tipo de receio, frustração ou pressão.
É duro, desafiante e muitas das vezes desgostoso, mas terá sempre muito mais brilho a prática da verdadeira humanidade.
Terá sempre muito mais brilho a prática do verdadeiro Homem.


[Fotografia da autoria de ©PublicDomainPictures]