Trata-se de um blog com pequenas reflexões e testemunhos pessoais.
É neste espaço que revelo um pouco do que penso e do que sou.
Vejam e deixem a vossa opinião (:


27 de novembro de 2016

Envolve-te no silêncio

Um silêncio pode transportar-nos para um sem fim de lugares.
Um olhar profundo pode levar-nos ao mais alto de todos os pensamentos.
Quantas vezes conseguimos cair neste profundo estado de introspeção?
Quantas vezes nos dirigimos a nós mesmos?
Não é fácil pararmos para percebermos quem somos e o que fazemos.
Temos um certo receio de entender o nosso eu e o nosso papel no mundo.
Temos um medo desgraçado em olhar para aquilo que realmente nos move.
Preferimos ignorar.
Preferimos fugir.
Preferimos fazer isto ou aquilo achando que aquela mera felicidade instantânea nos dará o complemento para toda a vida..
Optamos por deixar que as coisas passem.
Optamos por selecionar os pensamentos, onde eliminamos aqueles que mais nos perturbam.
Eliminamos aqueles em que mal surge uma palavra nos acelera o coração ou nos arrepia a alma.
O problema de os eliminarmos é que estamos somente a enganarmo-nos.
Pensamos que fazemos uma completa formatação daquilo que nos aparece mentalmente.
Pensamos, de forma irónica, que a vida não dará voltas e que nunca acabaremos por ser postos à prova.
E depois, o que fazemos?
Estudámos bem a lição?
Soubemos reagir da forma que realmente queríamos?
Soubemos usar as palavras que achávamos que iam ser pronunciadas?
É claro que não...
Caímos no fracasso.
Caímos na desilusão.
Caímos uma vez mais na ignorância de não perceber muito bem quem somos, nem para onde vamos.
A vida é um verdadeiro mistério, mas os mistérios vão-se resolvendo.
Não são resolvidos à nossa maneira, nem no nosso tempo, mas vão-se resolvendo.
E a vida só é resolvida quando nos resolvemos.
A vida só é resolvida quando nos envolvemos nela.
E para nos envolvermos nela é preciso que entremos em nós de forma concreta.
Não silenciemos os nossos pensamentos.
Não silenciemos as nossas dúvidas.
Não silenciemos os nossos medos.
Usemos o silêncio para os confrontar.
Usemos o silêncio para chegar ao barulho da resolução.
Usemos o silêncio para chegarmos à verdadeira plenitude.
E tu? Já te deixaste envolver pela vida?

[Fotografia da autoria de: ©Winner01]

20 de outubro de 2016

Contrato de risco

"...a vida é um contrato de risco e não há caminhos sem acidentes."

Eddy Francisco Martins - Amar ou Morrer
Por onde andas? 
Para onde vais? 
O que procuras? 
Existem alturas em que o caminho não tem cor. 
Em que o caminho não convida a continuar. 
Em que o caminho não é certo.
Em que o caminho está cheio de questões.
Prosseguir? 
Esperar? 
Recuar?
Passar à frente? 
Existem fases em que dava jeito substituir as quedas pelas certezas.
Às vezes, calhava bem que a vida não sofresse tantas curvas, ou que pelo menos não encontrasse grande movimento sem estarmos à espera.
Daria muito jeito saber decidir quando sentimos que as forças começam a faltar.
Seria ótimo saber o que fazer, quando o coração fica apertado e a respiração parece ser um imenso sacrifício para a nossa existência.
A verdade é que esta vida não vem com um GPS para contornarmos os obstáculos.
Nem muito menos com um livro de instruções para realizarmos tudo na perfeição.
Quando se está na realidade as poesias não são tão comuns.
Quando se está na realidade bate-se com toda a força com a cabeça na parede.
Quando se está na realidade a desilusão e o sofrimento são, claramente, dolorosos, mais do que alguma vez uma publicação literária poderá descrever.
Quando assinamos para viver e não para marcar presença tudo parece magoar.
Quando assinamos para viver deixamos o corpo morto para nascermos de novo.
Quando se dorme para a vida não se sente nada, nem mesmo a própria felicidade.
Por isso, não adianta pedir para diminuir a intensidade das coisas que vão acontecendo na vida.
É preciso continuar arriscar.
É preciso não ter medo de querer sentir tudo o que nos é oferecido. 
É necessário encarar todos os acidentes da vida, para que no final se consiga sentir tão epicamente o sabor da felicidade.
Não convém cairmos no facilitismo, na resignação, nem na fuga.
Não se ganha nada no disfarce. Ou se vive, ou se dorme para vida.
Quem vive sai com marcas, nódoas e calejado...
Quem vive sai com o testemunho de que no amor e na fé se encontram as respostas para se conseguir chegar ao fim.
Quem vive sabe que é uma questão de amar ou morrer.
E tu? Vais querer amar? Ou ficarás adormecido até à morte?


21 de setembro de 2016

É preciso saber olhar

"Se puderes olhar vê.
Se puderes ver, repara."

José Saramago - Ensaio Sobre a Cegueira

O que aconteceria se realmente nos olhássemos mais vezes?
Vivemos constantemente a um ritmo acelerado.
Temos hora para as aulas.
Temos hora para o comboio, para o metro...
Temos hora para comer.
Temos hora para ir ali e acolá.
Temos tantas e tantas horas.
Temos tantas e tantas coisas. E, muitas das vezes, esquecemo-nos de olhar.
Esquecemo-nos de dar um verdadeiro utensílio aos nossos olhos.
Para que possamos ver e, mais que isso, reparar no que realmente nos rodeia.
É muito difícil termos perceção do nosso mundo se não o olharmos.
Ou pior, se não o quisermos olhar.
Vivemos numa altura em que custa olharmos nos olhos.
Custa olhar para a cara das pessoas.
Custa parar para ficar unicamente a observar.
E há tanta coisa que precisamos de ter em atenção.
Há tanta coisa que precisa de ser vista para que não fiquemos cegos para sempre.
Precisamos de olhar para as crianças para que elas entendam que são protegidas e amadas.
Precisamos de olhar para as pessoas que se cruzam connosco para que saibam que tudo correrá bem.
Precisamos de olhar para os mais velhos para que sintam o carinho que temos por eles.
Precisamos de olhar para os mais carentes para que recebam inteiramente a nossa ajuda, a nossa presença.
Nenhuma obra para com o próximo fica completa se não for realizada olhos nos olhos.
O mundo tem de voltar a saber olhar-se.
Tem de voltar a saber cuidar-se.
O primeiro amor, a primeira ajuda, o primeiro carinho chegam sempre através de um olhar.
O "olhar será sempre o reflexo da alma", por isso demos-lhe uso.
Não cerquemos o nosso olhar nas tecnologias.
Nem demos somente uma vista de olhos por aqueles que nos estão mais próximos.
Se for possível paremos para olhar.
E se o fizermos iremos saber que estará ao nosso alcance mudar muita coisa.
Se olharmos não deixaremos ninguém isolado.
Se olharmos não deixaremos ninguém deprimir-se.
Se olharmos daremos uma nova visão ao mundo.
Daremos a conhecer a visão do amor.
Essa visão que transforma todas as vidas.
Não tenhamos receio, nem medo de olhar.
O teu olhar pode reparar em muita coisa.
O teu olhar poderá ajudar-te a atuar em muitas e muitas vidas.