Trata-se de um blog com pequenas reflexões e testemunhos pessoais.
É neste espaço que revelo um pouco do que penso e do que sou.
Vejam e deixem a vossa opinião (:


17 de maio de 2016

Faltas de amor...

São raros os momentos em que conseguimos estar em algum lado sem vermos as pessoas em grande movimento. 
São ainda mais raros os momentos em que conseguimos parar e permanecer no silêncio. 
Caros leitores, quando foi a última vez que pararam no meio da montanha, para apenas sentirem a brisa do vento, ouvirem o barulho das árvores e o chilrear dos pássaros?
Precisamos muitas vezes de desligarmos deste Mundo de loucos que invade as nossas vidas. 
O Mundo vive a uma grande velocidade e não pára um segundo para perceber para onde caminha. 
Temos pais que violam os seus filhos.
Temos filhos que abandonam os seus pais que já se encontram acamados.
Temos pessoas que se maltratam, apenas porque sim.
Temos seres humanos que se esquecem de praticar a humanidade que lhes foi concedida.
Tu, ser humano precisas de parar!
Precisas de contemplar este Mundo que te deram. Já reparaste bem na Natureza? Ela brilha, desenvolve-se e movimenta-se sem nos darmos conta. A Natureza aprendeu a trabalhar no silêncio, na simplicidade e na contemplação. Também tu, Homem, precisas de parar para valorizar!
Isola-te no cimo da montanha. Respira. E encontra-te novamente contigo mesmo e com todos aqueles que te rodeiam. Respeita-te e respeita os que contigo partilham este dom da vida.
Nesse silêncio perceberás que foste feito para viver em relação, que foste feito para estar em comunhão.
Tu, ser humano, precisas de voltar às origens.
Tu, ser humano, precisas de adquirir novamente o sentido de comunidade.
Estás isolado, sim. Mas nesse isolamento estás embalado pelo egoísmo, pela falta de amor, pela inveja.
Por favor, Homem, pára antes que seja tarde!
Por favor, Homem, ergue-te no meio da podridão e dá lugar à verdadeira humanidade.
Pratica esse teu verbo e sê realmente aquilo que és. Não te deixes enganar pelo materialismo, nem pelo o que é finito.
Enche-te de vida. Enche-te de alegria. 
Deixa o desenvolvimento tecnológico e traz contigo os conhecimentos sobre a pessoa.
Deixa-te das teorias e pratica...pratica esse amor que tanta falta faz ao Mundo!

20 de abril de 2016

A nossa igualdade está na diferença de cada um...

Ao caminhar pela rua dá para entender a diversidade de pessoas que existem ao nosso redor. Todas elas com as suas próprias vidas. Cada uma com a sua preocupação diária ou até constante.
Todos os dias atuamos como se fôssemos completamente diferentes uns dos outros. É certo que existem pormenores que nos distinguem. E ainda bem que é assim. Como é belo poder-se notar as diferenças que existe em cada um de nós. Que grande dádiva essa tal diferença que nos faz tão únicos, tão irrepetíveis. 
É nestas diferenças que surgem os encontros com o outro. É nestas diferenças que aparecem os diálogos e a comunhão com aquele que está ao nosso lado. É nestas diferenças que nos apercebemos no valor que existe em cada pessoa. 
Acabamos por em todas estas diferenças sermos todos tão iguais. 
Mas a verdade é que ainda não entendemos isso.
Preferimos ignorar o que é tão concreto aos nossos olhos.
Preferimos implicar pelas escolhas partidárias.
Preferimos implicar pelas escolhas clubísticas.
Preferimos implicar pelos credos de cada um. 
Preferimos ser cegos quando não entendemos a diferença que existe no outro.
Mas reflitamos...
Não quererá o outro ser tão amado como eu quero?
Não quererá o outro ser tão feliz como eu quero?
Não quererá o outro ser tão livre como eu quero?
Não quererá o outro ter as mesmas oportunidades como eu quero?
A verdade é que, independentemente, dos credos e das escolhas de cada um, todos anseiam pelo mesmo. Todos sonham pelo mesmo. O sonho é comum para todos aqueles que habitam na Terra.
É através deste sonho que nos apercebemos que as diferenças são quase nulas. É neste sonho que entendemos que somos todos iguais.
Mas afinal o que falta para que todo o Mundo entenda isto?
Que este sonho não seja uma mera miragem.
Que este sonho passe a ser uma realidade e que acima de tudo possa ser vivido por todos!

6 de abril de 2016

“Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem”

Sobre a obra de misericórdia “vestir os nus”, o Pe. Amaro Gonçalo diz-nos o seguinte: “O ato de vestir os nus implica o cuidado do seu corpo, uma intimidade, isto é, um tocar e medir o corpo para poder vesti-lo de modo adequado. Mas também implica o cuidado da sua alma, onde a roupa tem um papel importante na proteção da interioridade e sublinha, que essa mesma interioridade precisa de ser guardada e protegida.”.

Com estas palavras conseguimos entender que não ter roupa ou estar quase nus ou cobertos de farrapos é uma condição que tem importantes conotações psicológicas e espirituais. E por isso mesmo, nós, cristãos, somos convidados a termos cuidado com o nosso corpo, mas também a estarmos devidamente atentos àqueles que mais necessitam de se sentirem bem vestidos. O partilhar a roupa com alguém é algo que remete para alguma delicadeza e intimidade para com o outro. É entrarmos em verdadeira comunhão com aquele que está ao nosso lado. Não se deve somente dar as roupas, é preciso ensinarmos a vesti-las. Lembremo-nos dos exemplos que recebemos dos nossos pais ou avós, que desde tenra idade sempre tiveram a amabilidade e cuidado de nos vestir para que não nos sentíssemos despidos e conseguíssemos aceitar, verdadeiramente, a nossa unicidade.

É preciso que neste ato de vestir os nus esteja bem presente o nosso amor e o nosso contacto visual, para que aquele que recebe as roupas não se sinta humilhado, mas que nasça em si a vontade de mudar. É necessário passarmos uma mensagem de esperança, onde aquele que estava desprotegido e despojado pode agora encontrar-se a si mesmo revestido de roupas, mas acima de tudo coberto de caridade por aquele que lhe vestiu.

A nossa verdadeira misericórdia deve conseguir cobrir o interior daqueles que estão nus e, portanto, desprotegidos. É com esta partilha, com esta entrega e serviço ao outro que poderemos vestir aqueles que muitas vezes se sentem despidos e humilhados pela nossa sociedade.