Trata-se de um blog com pequenas reflexões e testemunhos pessoais.
É neste espaço que revelo um pouco do que penso e do que sou.
Vejam e deixem a vossa opinião (:


17 de janeiro de 2016

Os Doutores da Rua

E se vivêssemos num país onde o mesmo número de doutores académicos fosse igual ao número dos doutores da rua?
"Quem são estes doutores da rua?"- deverá ser a pergunta de muitos leitores.
Os doutores da rua são todos aqueles que vivem ou sobrevivem na rua. São aqueles que aprendem ou desaprendem na rua. São aqueles que foram ou não obrigados a pararem àquela vida.
Ao chamá-los de doutores da rua não os quero inferiorizar, nem sequer gozar. Muito pelo contrário. Trato-os assim, em primeiro lugar porque é a forma como eles todos se tratam e nos tratam e em segundo porque se calhar não haverá, infelizmente, muitas diferenças entre estes doutores da rua e os doutores académicos.
A única diferença que à primeira vista vejo entres estes doutores da rua e os outros, é que os da rua não tiveram aulas sentados, não tiveram que escrever, nem sequer ter a teórica. Estes doutores da rua foram obrigados a entrar na prática, foram obrigados a sentir na pele aquilo que muitas das vezes nos é dito na teórica para termos cuidado. Estes doutores da rua tiveram, literalmente, a escola da vida. Para mim, esta é sem dúvida, no meu ponto de vista, a única diferença entre os doutores.
Analisemos, de uma forma muito breve, cada caso...
Quantos doutores se formaram academicamente e desejam desesperadamente por uma oportunidade?
Será que esses doutores da rua também não desejam por uma oferta?
Mais, quantos doutores das nossas faculdades não se formaram dignamente para depois lhes serem negados a oportunidade de construir o seu futuro?
Não serão, também, estes doutores da rua muitas vezes negados pela nossa sociedade?
A verdade é que todos estes doutores, por diferentes razões é claro, têm muito em comum.
E de quem é a culpa?
A culpa é minha, é tua e é nossa.
A culpa é nossa, porque muitas das vezes nos calamos.
A culpa é nossa, porque muitas vezes é mais fácil ignorar, é mais fácil não pensar.
A culpa é nossa, porque não agimos.
Caros leitores, nesta vida todos nós poderemos vir a ser doutores. Sejamos nós formados academicamente ou formados pelos casos da vida. Por isso, cabe a nós estarmos mais atentos.
Cabe a nós não desviar o olhar quando passamos por estes homens e mulheres.
Cabe a nós mudarmos este rumo.
Cabe a nós aprender a caminhar com estes doutores da rua...



imagem retirada em: http://www.porta351.com/wp-content/uploads/2014/12/sem-abrigo_0.jpg

8 de janeiro de 2016

Máquinas da Sociedade

O Mundo gira a uma velocidade tremenda.
Avança de uma forma tão rápida que nem nos apercebemos dos dias passarem.
Hoje em dia somos convidados a viver numa adrenalina incrível.
Acordamos stressados.
Tomamos o pequeno almoço a "correr" e nem nos despedimos dignamente daqueles que vivem connosco.
Vamos a correr para cumprir horários e obrigações.
E quando chegamos, ao nosso local de trabalho ou de estudo, somos novamente abalados por uma onda de multidão, também ela toda movimentada por esta correria, mas sem saber muito bem para onde vai.
Corremos, corremos e...corremos.
Corremos todo o dia!
Corremos para acabar aquele projeto.
Corremos para entregar a horas aquele papel.
Corremos como meras máquinas.
E quando somos convidados a parar, o que nos acontece? Não conseguimos.
Ficamos como meios zonzos. Ficamos com a sensação de que não sabíamos que existia tempo para parar.
A verdade, é que desde pequenos somos incutidos com a ideia de que "parar é morrer".
Mas, caros leitores, estamos a precisar de uma verdadeira paragem.
Estamos a precisar de parar, para entendermos do que realmente somos feitos.
Estamos a precisar de parar, para entendermos do que realmente necessitamos.
Estamos a precisar de viver de uma forma autêntica. Sem correrias. Sem pressas.
Precisamos de parar, para assim podermos observar, respirar e darmos valor ao maior dom que temos: a vida.
Com tantas correrias, nem nos apercebemos que somos todos iguais. Não conseguimos perceber que temos todos o mesmo objetivo: sermos felizes.
São por causa destas correrias todas e por todas as faltas de tempo, que nós alegamos não ter, que surgem as guerras, que surge a solidão, que surge o desespero, que surge a necessidade, que surge tudo aquilo que só nos apercebemos quando acontece nas nossas vidas.
Não deixemos que a vida passe a correr.
Tínhamos perceção dos dias, pois só assim conseguiremos ouvir a nossa "máquina" a bater.
Não queiramos ouvi-la quando ela já estiver para deixar de funcionar.
É hora de nos reunirmos.
É hora de vivermos juntos.
É hora de comermos e bebermos juntos.
É hora de rirmos juntos.
É tempo para parar.
É tempo para deixarmos de ser máquinas.
É tempo para vivermos, verdadeiramente!

17 de novembro de 2015

Por onde andas ser humano?

A Humanidade vai desiludindo cada vez mais.
Estou triste e tenho vergonha de dizer que sou humano.
Não consigo sequer conceber como é que somos tão evoluídos em tantas coisas, mas no que trata respeitar o próximo somos tão primários.

É muito difícil entender que toda e qualquer vida humana tem valor?
É difícil de perceber que o Mundo é grande o suficiente para que todos possamos viver nele?
Qual é a dificuldade de aceitar as diferenças dos outros?

E, caros leitores, não vale a pena dizer que foi a raça, a religião, a política e o dinheiro que separou a Humanidade. O que dividiu efetivamente a Humanidade foram os atos de egoísmo, de rancor, de ódio foi o próprio ser humano que se quis dividir, pois julgou que um dia uns poderiam ser superiores aos outros.

No nosso quotidiano não somos confrontados com este tipo de atos? Ora vejamos muito atentamente...
Quantas vezes não partilhamos uns simples apontamentos para que o outro não tire melhores notas que eu?
Quantas vezes não sou motivo de desunião nos grupos em que pertenço?
Quantas vezes escondo as minhas fraquezas apontando as do outro?
Quantas vezes eu sou orgulhoso e não perdoo?

Parecem simples coisas, mas é com isto tudo que se criam as mentalidades.
Comportamentos geram comportamentos e quando damos conta acabamos de criar uma cambada de tolos fundamentalistas, onde não conseguem entender a simplicidade. Acabamos por criar máquinas destruidoras que não possuem um coração, nem um cérebro, mas sim um pedregulho comandado por uma motherboard desprogramada para os bens essenciais.

Enquanto não entendermos que a dignidade humana está acima de tudo não haverá nenhum Deus que possa ser anunciado, pois tenho a certeza absoluta que nenhum, mas mesmo nenhum Deus pediu, pede ou irá pedir que se matem.

Que no futuro todos consigamos entender que é urgente saber respeitar as diferenças. Que saibamos o mais rápido possível que é preciso amarmo-nos para que a nossa existência neste pequeno espaço possa ter sentido!

Unam-se e entreguem-se à simplicidade, pois só assim poderemos salvar esta Humanidade que está perdida de valores.